Edição #2
O quarto e quinta dias do SXSW 2025 reforçaram a necessidade de construir futuros que sejam, ao mesmo tempo, inovadores e inclusivos, além de acolhedores com a saúde mental. As conversas abordaram desde avanços tecnológicos que desafiam nossos limites até o papel da representatividade na construção desses futuros. A tecnologia pode criar pontes ou barreiras — a escolha é nossa.
Confira abaixo as cinco palestras de destaque (e mais um bônus!) dos dias 10 e 11 de março do SXSW 2025.
#1 Jay Graber: "The Future of Social"
A CEO da Bluesky, Jay Graber, fala sobre o futuro das redes sociais e como a descentralização pode transformar a maneira como nos conectamos online. Durante a palestra, ela abordou os desafios do crescimento da Bluesky, os princípios da governança aberta e como a plataforma busca ser uma alternativa livre do controle de grandes corporações.
"O objetivo é criar um ecossistema em que pessoas tenham o poder de escolher sua experiência online."
Jay Graber apresenta a Bluesky como uma rede descentralizada que visa dar aos usuários mais controle sobre seus dados, feeds e moderação, evitando o controle absoluto por uma única entidade.
Confira os principais temas da sua sessão:
Descentralização e o Fim do Controle Corporativo
A Bluesky permite construção livre, mantém a identidade digital do usuário e impede controle centralizado, diferenciando-se das redes sociais tradicionais.
Monetização Sustentável Sem Anúncios Invasivos
A rede busca um modelo de monetização que alinha os interesses da empresa aos dos usuários, evitando a manipulação algorítmica e priorizando a experiência.
Moderação Personalizável e Governança Aberta
Moderação é governança. É escolher como você quer que seu espaço digital seja governado, podendo evitar discursos tóxicos sem censura centralizada.
O Futuro das Redes Sociais
As redes sociais podem ser reformuladas para priorizar a escolha do usuário, inovação aberta e menos toxicidade. O objetivo é tornar as redes sociais tão adaptáveis quanto a própria internet.
#1 Jay Graber X Mark Zuckerberg
A camiseta de Jay foi uma crítica ao controle das redes
A escolha não foi acidental. Zuckerberg tem se comparado diretamente ao imperador romano Júlio César, usando camisetas com a frase “Aut Zuck aut nihil“, uma variação de “aut Caesar aut nihil” (ou César ou nada). A resposta sutil de Graber representa perfeitamente a missão do Bluesky: criar um mundo de redes sociais sem “imperadores” bilionários controlando a conversa.
Confira a sessão na íntegra:
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🤔 Olhar da Oxygène

Se a personalização é o futuro, como as marcas podem fazer parte de um feed escolhido pelo usuário, e não imposto por um algoritmo? As marcas precisam ir além da lógica dos algoritmos e focar em relevância genuína. Em redes descentralizadas, onde o usuário escolhe o que vê, não basta alcançar — é preciso ser escolhido. Isso exige conteúdo útil e autêntico, que gere valor real e construa conexões diretas. As marcas que entenderem essa mudança não dependerão mais da mídia paga para engajar, mas sim da afinidade que cultivam com seu público.

#2 Esther Perel:
"Imagine Our Preferred Future"
A psicoterapeuta Esther Perel trouxe um dos debates mais instigantes do evento: como relacionamentos significativos podem ser a chave para uma vida longa e plena e como eles estão sendo influenciados pela tecnologia. Em um painel com Frederik G. Pferdt, ex-chief innovation evangelist do Google, e a futurista Amy Webb, Perel destacou que de nada adianta prolongar a vida se não estivermos felizes.
Perel afirma que a qualidade dos relacionamentos determina a qualidade da vida. E hoje, o excesso de tecnologia traz um novo desafio para a manutenção das relações humanas:
"Parte do que está acontecendo conosco é que estamos vivendo em um mundo tecnológico que está basicamente removendo todo atrito possível e nos dando ‘perfeições algorítmicas’ a ponto de, quando as coisas não saem como imaginamos, ficamos perplexos."
Confira os principais temas da sua sessão:
Perfeição Algorítmica
Algoritmos transformam expectativas sobre relacionamentos. Psicoterapeuta diz haver maior liberdade, mas menor capacidade de negociação, pois negociar exige tolerar incerteza.
Longevidade e conexões
Relações de qualidade são cruciais para longevidade e felicidade. No ambiente corporativo, isso implica fomentar conexões genuínas, promovendo bem-estar emocional e redes de apoio.
Construção do futuro
Webb defende que prever e construir o futuro exige dados e imaginação, como proposto por Kahn. Líderes devem usar ambos para decisões assertivas, moldando um futuro corporativo colaborativo e produtivo.
A importância do bem-estar
Inteligência emocional é essencial para inovação sustentável. Empresas que investem no bem-estar dos colaboradores terão vantagem competitiva.
O futuro não será decidido pelos algoritmos, mas por quem souber ouvir.

🤔 Olhar da Oxygène

A tecnologia nos dá a ilusão de controle, mas a solidão cresce. A OMS já alerta: vivemos uma epidemia global de isolamento, afetando corpo e mente. As relações humanas são imperfeitas por natureza – e é nisso que reside sua essência. Até onde a tecnologia pode ir sem substituir o que realmente nos conecta? Vivemos cercados por ferramentas que prometem conveniência e controle, mas a verdade é que as relações humanas não cabem em algoritmos.

#3 Ian Beacroft: What Actual AI-Powered Company Looks Like
Em sua palestra, Ian - CEO and Chief Futurist da Signal and Cipher - explora como a inteligência artificial está redefinindo o mercado de trabalho, exigindo adaptação contínua e novas formas de colaboração entre humanos e tecnologia.
"Não somos o que sabemos, somos o quão
rápido conseguimos nos adaptar."
No mundo impulsionado por IA, o diferencial humano não será mais o acúmulo de conhecimento fixo, mas a capacidade de se reinventar rapidamente. Habilidades antes estáveis agora têm um ciclo de vida reduzido, tornando a adaptação um fator essencial para a relevância profissional. Empresas e indivíduos que dominarem a aprendizagem contínua e a flexibilidade mental estarão à frente na revolução tecnológica.
Principais tópicos abordados:
O futuro do trabalho e a IA
A inteligência artificial não substituirá completamente os humanos, mas exigirá novas formas de colaboração e reinvenção profissional.
O declínio do ciclo de habilidades
Habilidades que antes duravam décadas agora ficam obsoletas em poucos anos, tornando a aprendizagem contínua essencial.
Small Data como diferencial competitivo
Empresas precisam focar em dados internos refinados para obter vantagem real com IA, e não apenas depender de grandes volumes de informação.
Redefinição das métricas de sucesso
O foco excessivo em eficiência e escala precisa dar espaço para novas métricas voltadas à inovação, adaptabilidade e impacto social.
Confira a sessão na íntegra:
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#4 Arvind Krishna: Future of AI and Quantum Computing
Arvind Krishna, presidente e CEO da IBM explorou o impacto da IA e da computação quântica no futuro dos negócios e da sociedade, destacando desafios, oportunidades e a necessidade de inovação contínua.
"A verdadeira revolução da IA não é o que ela pode fazer hoje, mas o que ela desbloqueará no futuro."
A IA, já transformando setores, atingirá seu ápice com a computação quântica. O desafio é tornar ambas acessíveis e éticas. Empresas que integrarem IA e quântica estrategicamente terão vantagem competitiva.
IA nas empresas
Adoção real ainda está em fase inicial, especialmente para análise de dados privados.
Computação quântica
IBM investe fortemente, pode solucionar problemas complexos como otimização de materiais e descoberta de medicamentos.
Impacto no trabalho
Automação aumentará produtividade de programadores e profissionais criativos em até 30%.
Impacto social
Democratização do acesso à IA e computação quântica é essencial para benefícios alcançarem toda a sociedade.
Confira a sessão na íntegra:
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#5 Jim Louderback:
Passado, presente e futuro da creator economy
Jim Louderback: Paradoxo da Creator Economy
"Nunca houve um momento melhor para ser um creator", disse o ex-CEO da MCN e VidCon. Indústria de $250 bi, com 200 milhões de creators, deve chegar a $500 bi até 2028.
Apesar desse crescimento esperado, essa economia enfrenta uma série de desafios, como oscilação nos investimentos e o burnout dos criadores de conteúdo.
Confira alguma de suas ousadas previsões:
Creators vão ganhar um Oscar, como melhor ator, diretor e filme
Um creator de IA estará entre os 100 melhores criadores de conteúdo em 2026
Ferramentas de IA vão substituir 25% do núcleo dos processos de negócios
Assinaturas nunca serão um negócio escalável para um grande número de creators
25% dos 100 maiores anunciantes farão patrocínios de longo prazo com creators — como nos esportes, até 2027
20% dos acordos de marca e integrações de creators serão transacionados programaticamente em três anos
John Madden vai comentar o jogo do Hall da Fama em 2026 em um canal alternativo alimentado pela Microsoft, YouTube ou Twitch
Empresas desenvolverão estruturas de bônus únicas para funcionários internos que também são creators nos próximos 12 meses
Jimmy Donaldson, também conhecido como Mr. Beast, destrona Thom Tillis e é eleito para o Senado dos EUA em 2026, ou Mark Zuckerberg se candidatará à presidência em 2032
Creators serão disruptivos — A IA permitirá que mais 500 milhões de criadores produzam conteúdo envolvente, mas também produzirá mais 500 milhões de criadores de IA envolventes até 2030

🤔 Olhar da Oxygène

No jogo da Creator Economy, as marcas precisam escolher: serão apenas patrocinadoras ou verdadeiras coautoras da cultura digital?

BÔNUS: a receita secreta da Liquid Death e Duolingo
No SXSW, um dos painéis mais provocativos reuniu o VP de Marketing da Liquid Death e o diretor criativo do Duolingo para debater um ponto central: por que tantas marcas querem ser ousadas e engraçadas como eles, mas falham? A resposta não está na criatividade ou nas ideias, mas na estrutura, cultura e processos que permitem que essas ideias sobrevivam.
O problema da maioria das marcas é que há “muitos cozinheiros na cozinha”. Ideias espontâneas, ágeis e culturalmente relevantes se perdem no caminho entre briefings, aprovações e reuniões intermináveis. No final, a execução mata a intenção original. Não é a falta de ideias que trava a inovação, mas a incapacidade de colocá-las no mundo com autonomia e velocidade.
Na sessão foram destacados alguns pontos para o sucesso das marcas:
Agilidade na Execução
A burocracia excessiva e a multiplicidade de aprovações sufocam ideias promissoras. Marcas ágeis priorizam a execução rápida e eficiente.
Cultura de Autonomia e Liberdade
Ambientes onde os colaboradores se sentem à vontade para expressar suas opiniões e tomar decisões são cruciais. A cultura do "sim" impede a inovação.
Especialização e Talentos Certos
Contratar especialistas alinhados com a identidade da marca e dar-lhes autonomia para criar é fundamental. Liquid Death, por exemplo, busca comediantes para seu time de marketing.
Cultura do Risco Controlado
Marcas que cultivam uma cultura de testes e experimentação ganham a confiança do público, mesmo quando erram. A consistência no risco é crucial.

🤔 Olhar da Oxygène

Se criatividade ousada fosse só uma questão de ideia, todas as marcas seriam irreverentes. Mas o que realmente diferencia Liquid Death e Duolingo não é apenas o tom provocativo—é a estrutura que sustenta essa ousadia. Marcas que querem ser mais relevantes culturalmente precisam olhar para dentro: elas têm os talentos certos, processos ágeis e autonomia real para arriscar? Criatividade sem estrutura vira frustração. Ousadia sem consistência vira ruído.

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